24 novembro 2017

Setubalense - 1971 - Fevereiro

03 Fevereiro
Eng. Humberto Ferreira da Cunha
25 anos ao serviço da Junta Autónoma do Porto de Setúbal.
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03 Fevereiro
Na cidade
Iniciaram-se os trabalhos para o alargamento da Travessa da Alfândega (esta manhã).
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06 Fevereiro
O Presidente da Câmara conversou com Azeitão, no magnífico Solar da Casa do Povo, em Vila Nogueira
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06 Fevereiro
Um grande estaleiro de construção naval vai ser instalado em Setúbal?
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06 Fevereiro
Ten. Coronel Jacinto Frade
Tomou posse do cargo de chefe do Distrito de Recrutamento e Mobilização nº11.
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08 Fevereiro
“O deslumbramento do cargo!”
Artigo de Henrique Costa Lima
“Por alturas de 1924, afirmou-nos um dos mais discutidos vultos da política portuguesa da época, residente como nós em Paris, que um dos maiores males que tinha encontrado durante a sua vida de governante, tinha sido o chamado “deslumbramento do cargo…”
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15 Fevereiro
Recordando Sebastião da Gama dezanove anos após a sua morte.
Um artigo assinado por Manuel Gonçalves Martins.
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17 Fevereiro
Tróia será em breve grande centro de turismo europeu.
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17 Fevereiro
Na cidade
A Câmara vai pedir autorização para utilizar o Forte de Albarquel para alojamento de desportistas e de estudantes.
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22 Fevereiro
Cultura
Álvaro Perdigão expõe na Galeria do Diário de Notícias, em Lisboa, a partir do dia 25.
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22 Fevereiro
Vitor Cláudio faz reportagem sobre “o Ciclo Preparatório” – uma realidade que importa considerar.
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24 Fevereiro
Machado Pinto foi nomeado chefe de secção do Instituto Nacional do Trabalho e Previdência (INTP)
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24 Fevereiro
O Município de Setúbal vai oferecer pequenas bibliotecas.
Por sugestão do Dr.J.Matos, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Setúbal, o município propõe-se oferecer pequenas bibliotecas às Sociedades existentes no concelho, promovendo-se uma selecção de 170 0bras literárias ou de divulgação científicas.
As bibliotecas serão oferecidas com as respectivas estantes.
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27 Fevereiro
A Câmara Municipal vai construir mini parques desportivos em vários locais da cidade tendo em vista os Jogos Juvenis de Setúbal.

23 novembro 2017

Não chores, Rui...

Brinca com o Infarmed.
... é o título de um artigo de 
João Miguel Tavares
na sua coluna do "Público" denominada
"O respeitinho não é bonito"
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João Miguel Tavares
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Como é possível que um político tão habilidoso como António Costa esteja a acumular erros atrás de erros desde o Verão? Há asneiras para todos os gostos. Erros políticos calamitosos, como a gestão dos fogos; erros ridículos de comunicação, como o tweet do Panteão; erros de tibieza e falta de estratégia, como nas negociações com os professores. E agora, isto: o primeiro-ministro hesitante e teacher friendly da semana passada resolveu travestir-se de macho man da descentralização. Vai daí, embrulhou o Infarmed e os seus 350 trabalhadores em papel de Natal e foi ao Porto oferecê-los a Rui Moreira, que tinha ficado triste por perder a Agência Europeia do Medicamento para Amesterdão.

A gente esfrega os olhos e nem consegue acreditar no que vê. A quem pensa António Costa agradar? Mistério. Tirando Rui Moreira, que teve uma reação tão infantil quanto a de Costa, aparecendo em frente aos jornalistas com a felicidade de quem recebeu o carro da Barbie depois de ter perdido a casa da Barbie, não há ninguém que consiga perceber o racional disto. Qualquer pessoa olha para esta transferência e fica chocada com a absoluta discricionariedade da decisão. O Porto tinha concorrido e perdido um concurso europeu e ninguém estava a culpar o Governo. Aliás, ninguém estava sequer a falar nisso. De repente, aparecem António Costa e Adalberto Campos Fernandes a oferecer ao Porto aquilo que o Porto não pediu, e envolvendo na negociata a vida de 350 pessoas, mais as suas famílias, que souberam da decisão pelas televisões. Não há outra palavra: isto é chocante.
Não está em causa a necessidade de descentralizar o país, nem o excessivo poder do Terreiro do Paço, nem a forma como o Estado podia, e devia, espalhar a sua estrutura megalómana pelo território. Só que enviar o Infarmed para o Porto não faz parte de uma qualquer descentralização planeada, de uma reforma administrativa mínima ou de uma simples necessidade técnica. Costa achou que devia dar um prémio de consolação ao Porto, e foi isto que ele arranjousem estudos, sem envolvimento dos trabalhadores, sem anúncio prévio. Calhou a fava ao Infarmed, simplesmente porque sim. E, desconfio eu, por ter pouca gente sindicalizada na CGTP.

A par do regresso às 35 horas na função pública, é bem possível que este anúncio seja uma das mais vergonhosas decisões tomadas por António Costa desde que é primeiro-ministro. Se em termos económicos a gravidade é muito diferente, em termos estritamente políticos as duas medidas são sintomáticas da capacidade que Costa tem de recorrer ao populismo mais irracional se achar que obtém ganhos imediatos, independentemente do número de pessoas que atropele. Contudo, se no caso das 35 horas a medida é absurda mas eleitoralmente eficaz, no caso do Infarmed nem isso. Parece uma coisa à Santana Lopes — nem se percebe a lógica da decisão.

Pergunto: estará o primeiro-ministro a perder o mojo? Ter-se-á eclipsado a magnífica intuição política que o trouxe até aqui? Com Passos Coelho fora de jogo e o PSD entregue a dois candidatos que não entusiasmam um único hominídeo desde a invenção do iPhone, era bom que a legislatura chegasse ao fim. Tal como o soldado que é um exemplo de coragem até quebrar de vez e passar a assustar-se com a própria sombra, António Costa anda desde Outubro de cabeça perdida. Convinha que se recompusesse, para bem do país. Talvez possa perguntar ao Infarmed se tem por lá algum medicamento para isso.
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By João Miguel Tavares
in. "Público"
23.Nov.2017

22 novembro 2017

Não houve nada de novo...

... num "pequeno poema" de 
Sebastião da Gama
a que o autor deu o nome de
Pequeno poema
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Sebastião da Gama

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Pequeno poema

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.

Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais…
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém…

Pra que o dia fosse enorme.
bastava,
toda a ternura que olhava
nos olhos da minha Mãe…
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in. "Poemas de amor"
Serra - Mãe
Junho/1957

21 novembro 2017

Não há professores...

Cada professor é um professor...
... é o título de um artigo de 
João Miguel Tavares
na sua coluna do "Público" denominada
"O respeitinho não é bonito"
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João Miguel Tavares
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Eu sou um produto, para o bem e para o mal, da escola e da universidade públicas. Nunca andei em instituições privadas. Três dos meus quatro filhos frequentam a escola pública, e a mais nova só não frequenta porque ainda tem cinco anos. Há razões financeiras para esta escolha, pois os filhos são muitos, mas há sobretudo razões de princípio: acredito na importância do ensino público; frequentei-o numa época em que era menos exigente do que hoje e não me dei mal; prefiro que os meus filhos cresçam longe das bolhas elitistas (sem desprimor) que são os melhores colégios privados; acho até que certas limitações próprias da escola pública têm vantagens em termos de autonomia e de resiliência (se os pais desempenharem bem o seu papel); e prefiro investir o dinheiro que poupo na mensalidade dos colégios em actividades extracurriculares, ou a viajar com os miúdos para fora do país nas férias do Verão ou da Páscoa, para ganharem mundo
Este primeiro parágrafo serve dois objetivos: demonstrar que sei do que falo quando falo da escola pública, e tentar afastar o preconceito de que quando critico Mário Nogueira, os sindicatos ou certos privilégios da classe estou a atacar cada professor em particular. Deixem-me ser claro quanto a isto, correndo o risco de parecer foleiro: não há mais belo, nem mais nobre trabalho do que o de professor. De nenhuma outra profissão tanta gente algum dia disse “graças a ele, a minha vida mudou” ou “nas suas aulas, descobri a minha vocação”. Tive professores extraordinários, tal como os meus filhos tiveram professores extraordinários. Mas, como é óbvio, também existe o outro lado: tive péssimos professores, tal como os meus filhos já tiveram péssimos professores.
Há décadas que se reconhece a importância de tentar distinguir uns dos outros, para que os extraordinários possam ser devidamente premiados, e os péssimos necessariamente penalizados. Há décadas que esse exercício é um fracasso. Continuamos a alimentar este paradoxo: os professores são a corporação mais poderosa do país, embora poucas profissões estejam tão radicalmente dependentes do carisma individual de quem a exerce. Ser professor é estar sozinho, durante infindáveis minutos, à frente de uma plateia heterogénea e resmungona, que necessita de ser diariamente conquistada. Não existe, nem nunca existiu, essa entidade abstrata chamada “os professores” – existem dezenas de milhares de indivíduos a desempenhar uma função singular e complexa, que de forma alguma podem ser confundidos com um grupo profissional homogéneo, como se fossem mineiros, estivadores ou trabalhadores numa linha de montagem.

Romagens de Saudade...

... do Liceu de Castelo Branco
Em 16 de Junho de 1979
nu último jantar da 7ªRomagem
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Carlos Robalo, Matilde Pinto de Paula e Maria Gil

20 novembro 2017

Alcedo atthis...

...numa homenagem de 
Miguel Torga
feita em 28 Set 1942
em Barril de Alva.
com o título de 
Saudação.
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Miguel Torga
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Saudação
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Não sei se comes peixe, se não comes.
Irmão poeta Guarda-Rios:
Sei que tens céu nas asas e consomes
A força delas a guardar os rios.
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É que os rios são água em mocidade
Que quer correr o mundo e conhecer;
E é preciso guardar-lhe a tenra idade,
Que a não venham beber...
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Ave com penas de quem guarda um sonho
Líquido, fresco, doce:
No meu livro te ponho
E eu no teu rio fosse...
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Miguel Torga

19 novembro 2017

Hoje há pintura...

Francisco de Goya e Lucientes
1746 - 1828
Pintor espanhol
Romantismo.   
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S.Gregório

18 novembro 2017

Escrito na pedra...

In. “Público”
24.05.2015
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“Olha à direita e à esquerda do tempo, e que o teu coração aprenda a estar tranquilo.”
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Federico Garcia Lorca
1898-1936
Poeta e dramaturgo espanhol