22 abril 2018

Memórias de Castelo Branco...

01-07-1950 
in. Semanário "Beira Baixa"
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Toponímia da Cidade
A Câmara aprovou um trabalho realizado pela Comissão de Toponímia constituída pelos Senhores:
        Eurico Sales Viana
Dr.João Frade Correia
António Silva Nacho
Eng. João Rego Bayam
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Quanto a novas designações de arruamentos restauraram-se alguns dos velhos topónimos mais ligados à tradição (Santa Maria, Cavaleiros, Ferreiros, Peleteiros, S.Sebastião, Poço das Covas e Pina) banindo-se dos locais respectivo denominações que não chegaram a criar raízes na maioria da população citadina.
Procurou-se homenagear individualidades notáveis até agora esquecidas na toponímia local e, assim, aparecem agora os nomes dos: 

Rei D. José
Rei D.Diniz
Fernando Sanches
Guilhermino de Barros
António Rodrigues Cardoso  (ainda conheci este Director da Beira Baixa)
Tavares Proença Júnior
Dr. Pedro da Fonseca
Afonso de Paiva
Jesuíta Manuel Dias
Cardeal da Motta
D. Jorge da Costa
João Velho
Sousa Refoios.

21 abril 2018

Fotografias de Setúbal...

...já lá vão uns 60 anos.
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A zona ocidental da cidade está hoje muito diferente...

20 abril 2018

Não começa nem acaba...

... num poema de 
Eugénio de Andrade
a que o autor deu o nome de
Canção.
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Eugénio de Andrade
(Visto por Carlos Carneiro-1953)
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Canção
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Tu eras neve.
Branca neve acariciada.
Lágrima e jasmim
no limiar da madrugada.
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Tu eras água.
Água do mar se te beijava
Alta torre, alma, navio
adeus que não começa nem acaba.
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Eras o fruto
nos meus dedos a tremer.
Podíamos cantar
ou voar, podíamos morrer.
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Mas do nome
que maio decorou,
nem a cor
nem o gosto me ficou.
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Eugénio de Andrade 
in."Até amanhã" - 1956

18 abril 2018

E foi o meu amigo Justo...

...quem me fez chegar este artigo sobre a Justiça,
da autoria de Homem que foi seu contemporâneo
na cidade do Sado, na década de 60... o Comandante
a frequentar o Liceu e o Advogado ainda na Escola primária... 
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Santana-Maia Leonardo
Advogado em Abrantes
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A justiça de casino
Os tribunais portugueses estão hoje transformados em autênticas mesas de póquer onde só se podem sentar os ricos, que têm dinheiro para apostar e ir a jogo, e os pobres que jogam de graça e quem joga de graça, como se sabe, pode cobrir todas as paradas.
Neste sentido, podemos dizer que existe, de facto, uma justiça para ricos e uma justiça para os pobres. Só não existe mesmo é uma justiça para aqueles desgraçados que, com os seus impostos, sustentam toda a máquina judicial e legislativa. Ou seja, para a classe média.
Com efeito, se uma pessoa da classe média quiser ir a jogo com um pobre, sai de lá depenada. Para litigar com um pobre, saliente-se, uma pessoa da classe média tem de pagar tudo, directa e indirectamente: paga os advogados, as taxas e as custas das duas partes e ainda paga os vencimentos dos juízes, dos procuradores e dos funcionários judiciais, o edifício do tribunal e o mobiliário. Além disso, o pobre, porque joga de graça, abre logo as hostilidades fixando o valor da acção numa brutalidade, o que obriga o desgraçado da classe média, que tem de pagar tudo, a ter de começar logo a contar os trocos.
Em boa verdade, para a justiça portuguesa, a classe média só serve mesmo para vítima. É roubada pelos ladrões, pelos deputados, pelos ministros, e, se por acaso num acesso de loucura, quiser recorrer aos tribunais na procura de justiça, ainda é roubada pelos tribunais.
Para a senhora ministra da Justiça, cujo vencimento é pago pela classe média, o seu grande objectivo é a ressocialização do ladrão que, em regra, assaltou uma pessoa da classe média. E com que dinheiro pensa a senhora ministra ressocializá-lo? Com o dinheiro da classe média. Mas a pessoa da classe média que foi assaltada pelo ladrão que vai ser ressocializado pela senhora ministra da Justiça não tem sequer direito a reaver o que lhe roubaram. Não, a ressocialização do ladrão não passa por indemnizar a quem roubou. Quanto a esse aspecto, a opinião dos ladrões e dos políticos é coincidente: a classe média portuguesa só serve mesmo para ser roubada.
Que raio de país este em que os que pagam a justiça são precisamente aqueles que não têm direito a ela!...
Santana-Maia Leonardo, Abrantes.

17 abril 2018

Eles foram professores no Liceu...

Joaquim Arco
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Era natural de Faro, onde nasceu em 14 de Setembro de 1911.

Joaquim Arco

Professor efectivo do 9ºGrupo (Desenho) chegou ao Liceu de Setúbal em 21 de Julho de 1950, depois de ter passado pelo Liceu de Nun'Álvares, em Castelo Branco, em finais da década de quarenta.
Foi nomeado professor contratado para o nosso Liceu, por transferência, nos termos do nº4, do Artº98, do Decreto nº36508 (*) de 17 de Setembro de 1947, precedendo concurso, do Liceu de Beja para Setúbal, por portaria de 1 de Julho de 1950, publicado no Diário do Governo nº164, II Série, em 7 de Julho de 1950. Tomou posse em 21 de Julho e entrou em exercício em 1 de Outubro de 1950
(*) Artº 98º
1. A Direcção Geral, tendo colhido a informação da Inspecção do Ensino Liceal (…) tratando-se de professores contratados, fará publicar no Diário do Governo a relação graduada dos requerentes admitidos.
4. A nomeação ou autorização para o contrato recairá no requerente graduado em primeiro lugar.
Em 23 de Novembro de 1950, foi nomeado para desempenhar o cargo de Director de Ciclo. No entanto, e por falta de um Vice-Reitor nomeado, exerceu também as funções deste cargo, na qualidade de Director de Ciclo mais antigo, desde 23 de Novembro de 1950 a 13 de Fevereiro de 1951, sem abandonar o cargo de Director de Ciclo que manteve até 26 de Fevereiro de 1955,data em que foi empossado no cargo de Vice-Reitor do Liceu. Era ainda Vice-Reitor quando em 1 de Outubro de 1959 cheguei ao Liceu; aqui se manteve até ao fim do ano lectivo de 1960/61, altura em que concorreu para o Liceu Gil Vicente, em Lisboa.
            Por portaria datada de 29 de Maio de 1958, publicada no Diário do Governo nº146, II Série, de 24 de Junho de 1958, foi-lhe concedido o aumento de vencimento correspondente à 1ªDiuturnidade, a partir daquela data.
 
O Dr.Estêvão Moreira, professor de História e Filosofia, o Dr.Joaquim Arco, professor de Desenho e de Matemática e o Dr. Antero Torres, professor de Português, Latim e Grego, numa foto obtida em 1958, na Quinta de S.Filipe, em Setúbal.
Uns anos antes, Joaquim Arco tinha sido professor de Matemática, no Liceu de Castelo Branco, quando ali frequentei o 2ºCiclo do Liceu, em 1947/50

Em 8 de Novembro de 1954, fez parte da Mesa, na homenagem que o Liceu prestou ao Dr. Cipriano Mendes Dordio, presidida pelo Vice-Reitor Dr. José de Mendonça e Costa e onde se sentaram, além do homenageado, o Major Marques de Andrade, Director Geral do Ensino Secundário e ainda os professoras Dr.ª Ofélia Carvalhão e Dr.ª Elisa Arco e os professores Drs. Aires de Abreu, Joaquim Arco, Estêvão Moreira e Lacerda Ferreira.

Em 29 de Novembro de 1954, por proposta do Conselho Municipal, Joaquim Arco foi eleito Vereador da Câmara Municipal numa Câmara de que também faziam parte os vereadores efectivos Afonso Rocha, António Barroso, António Soares Franco, Eduardo Albarran e Narciso de Freitas.
Em 1955, Joaquim Arco é Presidente da Comissão Municipal de Turismo.
Em 20 de Junho de 1956, inaugura, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Setúbal, uma Exposição de Pintura de 32 quadros a óleo, na sua segunda apresentação, na cidade.
São para lembrar as palavras que o Senhor Vereador Doutor Joaquim Arco proferiu numa sessão da Câmara Municipal, em 27 de Outubro de 1959.
No debate em curso suscitado pela instalação da Celulose, desejo frisar a circunstância de ser, em Setúbal, extraordinariamente baixo o número de setubalenses que frequentam o ensino secundário. A este sintoma que revela um deplorável nível económico, acresce outro não menos significativo: a ausência e indiferença pelas actividades e manifestações culturais na cidade que, sendo a terceira do país em população, deve ser a última na matéria que se está tratando. Este último facto é tanto mais de estranhar quanto é certo estar na índole de povo setubalense e nas tradições da cidade a tendência para o fenómeno artístico.
Estou convencido que tal estado de coisas deriva principalmente da estrutura económica actual que assenta em actividades decadentes e empobrecidas." 
Em 13 de Janeiro de 1960, a Câmara Municipal era constituída pelos Vereadores Joaquim Rodrigues Simões, Dr. José Caldeira Areias, Eng. Agrónomo Raul Veríssimo de Mira, Eng. António Barroso, Afonso Henriques Rocha e Joaquim Arco
Em Maio de 1960, Joaquim Arco fazia parte da Comissão de Arqueologia da Câmara Municipal de Setúbal. O então Presidente da Câmara, Major Magalhães Mexia conferiu a posse a esta comissão que era constituída pelo Vereador Joaquim Arco, pelo Rev Padre Fernando da Silva Martins, pelo Dr. Marques da Costa e por Manuel Bento de Sousa
Ainda em Maio de 1960, e “por proposta do Vereador Joaquim Arco, a Câmara resolveu colocar no antigo Convento da Boa Hora, uma lápide a assinalar o funcionamento, em época já recuada, do Liceu de Setúbal”. (in Acta da CMS de 21 de Maio de 1960)
Em 30 de Setembro de 1961, o jornal “Setubalense” chamava a atenção para um “acontecimento” no Liceu, que transcrevemos.
Dr. Joaquim Arco
Tendo sido colocado em Lisboa e fixado residência na capital, apresentou-nos as suas despedidas o Sr. Dr. Joaquim Arco e sua esposa, Sr.ª Dr.ª Elisa Arco, antigos professores de Liceu de Setúbal
Reconhecidamente lhes agradecemos a gentileza porquanto o Sr. Dr. Joaquim Arco que foi durante anos Vice-Reitor do Liceu, vereador, Vice-Presidente da Câmara Municipal e Presidente da Comissão Municipal de Turismo, e a Sr.ª Dr.ª Elisa Arco, constituem um casal que, pelo penhor do seu trato e pelo carinho com que se ligaram às coisas de Setúbal, com pesar vemos afastar-se do nosso convívio. Do coração lhes desejamos as maiores felicidades.
Joaquim Arco deixou de prestar serviço no Liceu Nacional de Setúbal em 31 de Setembro de 1961 e foi transferido, mediante concurso, para o Liceu de Gil Vicente, em Lisboa.

16 abril 2018

Humor antigo...

...com o traço de
Bernard Augesert


- Vá lá fazer "macaquices" para outro lado!...
O meu Raúl tem tudo quanto precisa lá em casa. Ouviu!!...